A, quanto amor

23jul11

Abro o Word, vejo a página em branco e olho e penso e não escrevo. Como é difícil começar a escrever sobre um assunto determinado (por você); as palavras se escondem, ficam distantes e fogem. Existe vontade, mas não se sabe começar, nem terminar e nem o que dizer.
Talvez seja assim o amor, é difícil, é fácil, começa e termina. Como uma oração: existem sujeitos compostos e complicados, travessões quando há diálogos, interrogações e exclamações, vírgulas e o ponto final. O amor acaba já dizia Paulo Mendes Campos em uma de suas mais lindas crônicas, acaba, começa, recomeça. Danado este tal de amor, desregrado, desnaturado, desengonçado.
Paro, leio o que escrevi até agora e penso: garota atrevida eu querendo falar sobre amor. Besteira! O amor é o assunto em comum entre os seres humanos, todos já amaram, amam e irão amar em algum determinado tempo e lugar. Mas ele não tem tempo, hora e lugar pra começar e se manifestar, que surpresa (des) agradável esse tal de amor.
Volto ao meu dilema inicial, dez linhas escritas e nada mais.
Não tenho o que falar do amor, não tenho como descrever, não tem como filosofar e nem como criar teorias (e vocês sabem o quanto amo uma teoriazinha barata). O amor é assim, não se diz; se sente, se vive, se enche, se lambuza, se degusta, se aprende, se torna amor. Mais forte, mais constante, mais intenso, menos forte, menos constante, menos intenso. Contraditório, complexo, complicado.
Menos gostoso que a paixão, porém, mais grandioso. O coração já não bate tão rápido, a voz não gagueja, as borboletas já não cismam em aparecer, mas estão lá. Controlados, delicados, comportados, tranquilos.
Leio novamente, não apago nada, vejo que falei e não falei nada. Coisa com coisa, pra que? Este meu pequeno texto não muda nada em sua vida, talvez nem te faça pensar nessa minha forma de amor, mas qual é a sua forma, esta você já pensou? Aliás, será que tem forma e formula secreta? Quantas pessoas não gostariam de saber para recuperar ele, o amor. De si, do amante, do amado, do outro para si.
Toca o telefone, atendo e é ele, o meu amor. Digo que estou escrevendo. Ele pergunta: o que? Sobre o amor – respondo. Sobre mim que está escrevendo então, o seu amor? Ele responde e sorri.
Sobre ele e sobre todo tipo de amor que se manifesta, se domina, se deixa dominar e se torna dominante e todas as vertentes que sei e não sei mostrar do amor.

Giovanna Offer



2 Responses to “A, quanto amor”

  1. eu me defino nesse texto penso do mesmo jeito que realmente não tem palavras para definir o amor 😀
    Parabéns Gi

  2. “O amor é assim, não se diz; se sente, se vive, se enche, se lambuza, se degusta, se aprende, se torna amor. Mais forte, mais constante, mais intenso, menos forte, menos constante, menos intenso. Contraditório, complexo, complicado.
    Menos gostoso que a paixão, porém, mais grandioso. O coração já não bate tão rápido, a voz não gagueja, as borboletas já não cismam em aparecer, mas estão lá. Controlados, delicados, comportados, tranquilos.” Perfeito.


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