Educação não é maquiagem

27set10

No inicio da década de 90, em São Paulo, o índice de evasão escolar e da repetência era alarmante. Começa-se a perceber que o sistema de seriação era muito seletivo e aqueles que não correspondiam a esse modelo acabavam por ser, também, excluídos. Tinha-se então um problema.
Mario Covas, em 1997, implantou o sistema de progressão continuada apoiada na idéia de ciclos que não repete o aluno, pois respeita os seus ritmos, entendendo que o aluno está em constante processo de aprendizagem. A idéia em si é perfeita, mas exige infra-estrutura.
Funcionaria se o professor pudesse conhecer o aluno em sua totalidade, conhecendo sua história, sua condição de vida em família, seus problemas emocionais, e a partir daí ter material pedagógico eficiente para desenvolver atividades que atendessem a esses problemas. A educação seria para tornar o aluno um cidadão e uma pessoa melhor e não somente ser mais um aluno.
Isto de fato não acontece porque o sistema de progressão continuada também não vem dando muito certo.
O governo de São Paulo apresenta graves problemas quanto à educação. José Serra – por incrível que pareça – consegue piorar o já ruim. Para não colocar a culpa no sistema, coloca a culpa nos professores, se “esquecendo” de que os recursos oferecidos a eles são tão ruins quanto o próprio governo.
Se não bastasse essa situação, inicia-se a implantação do “Caderno do Aluno”. O professor além de ser responsabilizado pela má qualidade da educação, passa a ser um aplicador do conteúdo que já vem pronto. A escola perde sua autonomia.
O Caderno do Aluno possui o conteúdo que será cobrado no SARESP que é uma tentativa de maquiar os resultados – péssimos – obtidos, prejudicando os que mais precisam: os alunos. SARESP é diferente de vestibular e os cadernos não preparam os alunos para tal. O vestibular tem outra exigência que não são contemplados nem no caderno do aluno, nem na prova do SARESP. Não possui uma cronologia clara, começa em um assunto, corta para outro… Volta. Além de que, desconsidera a realidade dos alunos e vai contra o próprio programa de progressão continuada.
A desvalorização do professor vai um pouco além com a prova por mérito implantada, que pressupõe premiar os melhores professores com aumentos progressivos dos salários mediante avaliação. Mas, o aumento não é congruente, pois limita aos 20% melhores, ou seja, se todos tirarem nota 10 só 20% receberão o aumento e estes deixam de receber vale-alimentação. Aumenta aqui, tira ali.
Os professores temporários, também têm suas respectivas provas. Eles são avaliados e escolhem suas aulas de acordo com a nota. Mas, o que o Estado quer é não ter nenhum tipo de vínculo trabalhista, então, se o professor for mal na prova é despedido e sai sem ter nenhum direito previsto pela CLT, visto estar no serviço público, então ele precisa ter estabilidade e não ser demitido.
Na atual campanha para presidente, Serra diz que as salas de aula têm dois professores. Onde? O que tem é um estagiário e um professor, mas nunca dois professores como é dito. E é a prefeitura que é responsável pela maioria das escolas com alfabetização e não o Estado. E mesmo que tivesse os dois professores ainda estaria errado, porque um dos problemas gravíssimos da educação é a superlotação em sala de aula. Por que, então, não colocar 20 alunos em cada sala com um professor cada? Traria muito mais rendimento e é o que é certo pedagogicamente falando.
Tudo não passa de uma boa propaganda – e diga se de passagem, forte – para enganar pessoas de outros estados, que não estão cientes de que a realidade aqui em São Paulo é muito diferente do que a dita pelo Serra.
Serra, nós estamos vendo e não estamos nada satisfeitos, aliás, muito pelo contrário.

Giovanna Arruda Offer

Para revista @virusplanetario



4 Responses to “Educação não é maquiagem”

  1. Adorei o post Gih, muito informativo, e é a realidade das escolas, infelizmente.
    Ta de Parabéns !
    Serra é um duas caras, trata trabalhador e estudante e nordestino igual vagabundo, depois fica se fazendo de santo em campanha !

  2. Giovana adorei seu texto.. Estou tentando a dois anos conseguir uma sala no Estado, fiz as provas, fui bem, mas não consegui nada assim como muitas professoras que já davam aulas aqui em Campinas. A situação realmente está precaria.
    De: http://www.aprendendoaensinar.wordpress.com
    Taciele Mascaro
    Abraços

  3. 3 Carlos

    Pois é Giovanna… a muito tempo bons professores manisfestam essa precariedade toda para pelo menos exercer sua profissão com diginidade. Como sugestão é de grande valor a leitura do post “Os filhos bastardos da Progressão Continuada” em: http://aprendendoaensinar.blogspot.com/

    bjo qrida

  4. 4 Aldenise

    E infelizmente a tendencia da Progressão Continuada é criar um ciclo maldito, no qual os alunos despreparados, voltam pra supostamente “preparar” outros. E é fato, também, infelizmente, q falta mto interesse por parte dos alunos. Mas a precariedade do ensino pubico compromete fatalmente os resultados obtidos. O problema tem solução, COMPLEXO confesso e q só dará frutos despois, bem depois, mas não é impossível de ser resolvido. Pq a coisa tá feia!
    Mto bom o post, bjos.


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