A cidade sem cores

20jul10

Na cidade sem cores os habitantes são como tal, não possuem cores e nem vida. Correm e esquecem de viver. O foco da cidade sem cores é o relógio, o único que ali existe; Se encontra na torre mais alta, onde os mais antigos dizem que ali morava o adorado ‘ser da terra’, ele é em formato de espiral e surreal. Marca o tempo normal, nem mais e nem menos. Nunca se atrasa. Os habitantes, pelo contrário, parecem estar sempre atrasados, vivem em uma eterna correria. São seres pequenos, corcundas e de cabelos brancos, correm de lá pra cá, daqui para lá e acolá também. Em disparado e sem parar. Alguns andam rápido e murmurando, outros em desespero gritando; quanto mais correm, mais longe estão. Vivem achando que todos ao redor podem ser seus inimigos, se relacionam, mas são distantes; temem. Qualquer um que entre em seu caminho é motivo para desconfiança, na verdade, medo. Medo sabe-se lá do que. Temem a própria vida. Sentem dó de todos, menos deles mesmos. Coitadinho, tadinho, pobrezinho, que dó… São as palavras que mais se encontram em seus vocabulários, mas as que não deveriam ser usadas. A desconfiança só os afasta cada vez mais de todos, e vão correndo e deixando a vida passar, sozinhos e com medo. A fé que possuem no ‘ser da terra’ é invejável, mas os cega. Pedem tudo a ele e se conseguem algo – mesmo por próprio esforço – não acreditam que foram eles que conseguiram. Tudo tem um motivo e um culpado, nunca si próprio. E vivem assim, no preto e branco, na cidade sem cores e sem vida, correm e nunca chegam e nunca vão chegar, não sabem aonde queres chegar. Esquecem-se de parar, pensar, analisar, olhar e caminhar; caminhar por si só, enfrentar os medos e os outros e quem sabe, um dia, ver as cores.

Giovanna Arruda



8 Responses to “A cidade sem cores”

  1. Deve ser horrível viver nessa tal Cidade sem Cores. Espero que algum dia os habitantes consigam achar suas cores.
    Enfim, você escreve bem, e não é novidade. Adorei.

  2. Ficou bem legal. O texto ME soa como uma metafora; sla uma metafora de nossa propria vida; da nossa rotina na “nossa” cidade.

  3. Incrivel sua capacidade de elaborar otimos textos *—*

  4. 4 Gab

    adorei Gi!

  5. Descreveu perfeitamente uma metropóle como a nossa, onde todos somos manipulados e vivemos em função do relógio e não das nossas próprias vontades, o que faz com que a vida cotidiana tenha manifestações particulares e individualistas, só nos possibilitando sonhar com uma sociedade utópica, diferentemente de tudo que vivenciamos.

  6. 6 Paulets

    fods, Gi *-*

  7. super interessante…
    uma grande crítica para com São Paulo não?…
    e te muma coisa q eu gostaria de saber, foi vc msma que escreveu ou é de outra pessoa?

  8. 8 Tita

    Adorei.


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